Marcus Lopes: pelo desenvolvimento regional sustentável da Baixada Fluminense

Em entrevista o presidente do PV Nillópolis, Marcus Lopes, defende o desenvolvimento regional sustentável da região.

“Está na hora de ouvir e atuar para quem vive e sofre com os problemas da Baixada”

Marcus Lopes é gestor ambiental, sociólogo e político com atuação na área de desenvolvimento urbano nos municípios da Baixada Fluminense e Rio de Janeiro. Iniciou sua trajetória política ainda jovem, em Nilópolis, sua cidade natal, da qual disputou a prefeitura, nas eleições de 2008. Marcus Lopes cultiva o sonho de atrelar liderança e governabilidade a benefícios reais para a Baixada Fluminense. Acredita no potencial da região e na capacidade de aprendizado e mudança da população. Vislumbra o aproveitamento otimizado de seus recursos e mão de obra para promover um crescimento planejado, articulado, uniforme e integrado dos municípios, com geração de emprego e renda. “Os problemas estão na Baixada. E as soluções estão na Baixada”, afirma.

Marcus Lopes é graduado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e qualificado em Gestão Ambiental pelo Sebrae-RJ. É consultor para elaboração de projetos na área de meio ambiente e sua trajetória política abrange participação na CPI da Desordem Urbana, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Confira entrevista e conheça os objetivos e planos do cidadão e político que acredita no valor da Baixada Fluminense:

Como começou a sua carreira política e o que o motiva a seguir em frente com ela?
Venho de uma família tradicional na política . Meu avô Jarbas Lopes foi Deputado Estadual e meu pai Walmir Lopes foi Presidente e Fundador do PDT de Nilópolis. Comecei a política na atividade escolar. Desde garoto, portanto, aprendi a conhecer e lidar com os atrasados mecanismos de poder enraizados na cidade. Durante toda a minha vida, observei a atuação e ações de inúmeros políticos locais. Cheguei à conclusão que, politicamente, Nilópolis tem sido uma região em que prevalecem os interesses pessoais dos governantes; além de ser um município liderado por grupos que raramente possibilitam a alternância de poder. Minha posição é a de confronto com esta realidade. Pois acredito que as consciências devem ser livres, que devemos deixar as lideranças locais desatreladas do governo, que devemos abolir iniciativas meramente assistencialistas para que a população aprenda a plantar para colher com os próprios meios e capacidades.

Qual a principal orientação de sua atuação na Baixada?
Promover o desenvolvimento regional sustentável: favorecer projetos de melhor aproveitamento das áreas e possibilidades da região e gerar emprego e renda. Precisamos pensar no conceito de cidades interligadas, a tão sonhada Governança Metropolitana.

Precisamos implantar oportunidades, estabelecer mecanismos de crescimento planejado para um desenvolvimento local articulado e uniforme. Enfim, fazer da Baixada um beneficiário. É o meu sonho! Este debate deve ser do governo, dos empresários, das universidades, das lideranças comunitárias e da população. Acredito na união de forças e na disseminação de informação. Uma população bem informada sabe exigir. E um governo cobrado não tem outra opção se não atender. Está na hora de ouvir e atuar para quem vive e sofre com os problemas da Baixada. Proponho o desenvolvimento regional sustentável para tal. Os problemas estão na Baixada e as soluções estão na Baixada. Já diagnosticamos as necessidades. Agora, é hora de usar a produção; os recursos e a sabedoria da população local para estimular a mudança.

Você pode dar um exemplo prático de projeto de desenvolvimento regional sustentável que pode contemplar a Baixada?
Vislumbramos, por exemplo, a integração dos municípios de Nilópolis, Mesquita e Nova Iguaçu, que tem áreas ociosas e pouco aproveitadas de imenso valor agregado. A partir delas, poderíamos construir um amplo mudário, na Via Light, onde passam as linhas de transmissão. O propósito seria abastecer projetos de reflorestamento do estado do Rio de Janeiro. Paralelamente, seria um projeto indutor de educação ambiental, capacitação profissional (com treinamento da população local para ocupar os postos de trabalho gerados), absorção de mão de obra das universidades e estímulo à pesquisa. Através da criação de cooperativas de trabalho, por exemplo, poderíamos gerar com este projeto cerca de mil empregos. É bom para o meio ambiente. E é bom para a sociedade.

Qual sua principal preocupação em relação à Baixada Fluminense, no que se refere a questões ambientais?
Neste momento, jornalistas, biólogos, engenheiros, pesquisadores em geral, políticos, como o Presidente do Partido Verde -RJ, Alfredo Sirkis e o Deputado Federal Fernado Gabeira, afirmam que as regiões de baixada serão as mais afetadas pelas mudanças climáticas. E num futuro próximo, podem enfrentar graves inundações, entre outros problemas. Minha função como político e gestor ambiental é passar informação à população. Os habitantes da Baixada Fluminense precisam entender as nossas vulnerabilidades e aprender mecanismos de adaptação à nova realidade. Pequenas atitudes podem fazer a diferença. Nosso desafio é fazer com que todos entendam que a sociedade é responsável pela degradação, mas também pela reconstrução.

E como você acha que a população da Baixada enxerga as questões ambientais?
Penso que a questão da consciência ambiental está começando a surgir, a partir de tudo que está sendo falado sobre as mudanças no clima, o aquecimento global e a possibilidade de uma catástrofe local . Ainda é uma consciência incipiente e desarticulada. Mas é um começo. Reconhecemos já nossas fraquezas, e estamos em busca de soluções. Porém, reafirmo a necessidade de disseminação de instruções adequadas. População sem informação é vítima de descaso político. A falta de orientação já trouxe problemas demais para a Baixada. Lidamos com o adensamento demográfico; vemos nossos rios virarem depósitos de lixo; assistimos nossas encostas e áreas verdes serem desmatadas para a construção de barracos. As pessoas tomam iniciativas como essas sem terem noção do mal que estão fazendo e sem terem idéia de que, no futuro, elas irão pagar caro por isso. Não podemos esquecer que estamos lidando com uma população forte, que tem garra para trabalhar e capacidade para compreender. Precisamos estimular a cultura da informação e incluir entre esses atributos a disposição para mudar!

Dúvidas e questões, fale com Marcus Lopes.


 

   
 
 

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